A política brasileira ganhou mais um capítulo histórico nesta semana. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a liderar o colegiado. A eleição marca um momento simbólico na política nacional, mas também veio acompanhada de debates intensos dentro e fora do plenário.

A votação ocorreu em dois turnos. No primeiro, mesmo concorrendo em chapa única, Erika recebeu 10 votos favoráveis e 12 em branco — número insuficiente para alcançar a maioria absoluta necessária. Diante do resultado, a então presidente da comissão, Célia Xakriabá (PSOL-MG), abriu uma segunda rodada de votação. Desta vez, bastava maioria simples, e Erika foi eleita com 11 votos favoráveis e 10 em branco.
Logo após assumir o cargo, a deputada deixou claro qual será o foco da sua gestão: fortalecer políticas públicas voltadas à proteção e à dignidade das mulheres. Segundo ela, o trabalho da comissão precisa olhar diretamente para problemas urgentes que ainda marcam a realidade feminina no país.
“Precisamos enfrentar o feminicídio, a cultura do estupro e a violência doméstica. A comissão deve ajudar a construir leis que salvem vidas”, afirmou a parlamentar.
Debate acalorado
A eleição, no entanto, gerou reações entre parlamentares conservadoras da Câmara. Deputadas como Chris Tonietto (PL-RJ) e Clarissa Tércio (PP-PE) criticaram a escolha, defendendo que a presidência do colegiado deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero.
As críticas também ecoaram no Senado. Em discurso no plenário, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) questionou a decisão e afirmou que o espaço deveria ser ocupado por mulheres “que nasceram mulheres”, argumentando que a mudança poderia impactar debates ligados às pautas femininas.
Diante das falas, Erika avalia levar as declarações ao Conselho de Ética da Câmara, considerando que algumas delas podem ter ultrapassado o limite do debate político e entrado no campo da transfobia.
Foco no trabalho
Mesmo diante das críticas, Erika Hilton afirmou que não pretende transformar a presidência da comissão em um campo de disputa ideológica. Para ela, o momento exige união e compromisso com problemas reais que afetam milhões de brasileiras. A deputada reforça que a missão do colegiado é construir caminhos para combater desigualdades, ampliar direitos e garantir segurança para mulheres em todo o país.
Com a eleição, Erika não apenas assume uma posição estratégica dentro do Congresso, mas também amplia o debate sobre representatividade na política brasileira — mostrando que, para muitos jovens que acompanham a política de perto, diversidade e participação caminham juntas na construção de um país mais democrático.
