Se alguém ainda tinha dúvidas do poder de Liniker, a 26ª edição do Grammy Latino tratou de esclarecer tudo com glitter, vozeirão e troféus. Aos 30 anos, a artista foi simplesmente o nome brasileiro mais premiado da noite, levando para casa três estatuetas que coroam a fase mais arrojada e inventiva de sua carreira.

Em uma cerimônia quente realizada nesta quinta-feira (13/11), em Las Vegas, Liniker saiu vitoriosa nas categorias Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, com o impecável Caju; Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa, também por Caju; e Melhor Canção em Língua Portuguesa, com a delicada e poderosa Veludo Marrom. Um hat-trick chiquérrimo, e merecidíssimo, que coloca a cantora num patamar ainda mais alto dentro da música nacional e latina.
No discurso, Liniker fez o que sempre faz: entregou verdade.
“É um prazer enorme poder vencer uma categoria onde as compositoras são celebradas. Eu escrevo desde os meus 16 anos e a poesia tem sido minha maior forma de existência”, disse, emocionada. E completou com a força que atravessa sua trajetória: “Ser uma travesti compositora no Brasil, que mata a gente, é difícil demais. Que cada vez mais a nossa história possa ser celebrada como hoje. Muito obrigada.”

A fala ecoou pelo auditório e nas redes como um lembrete da potência que ela carrega, não só como artista, mas como figura fundamental para ampliar horizontes dentro da música. E se faltava algum momento para sacramentar a noite, Liniker entregou: sua performance de “Negona dos Olhos Terríveis” foi um dos ápices da cerimônia. Intensa, cheia de presença e emoção, ela fechou o evento mostrando por que seu nome ressoa tanto, mesmo em uma edição dominada por gigantes como Bad Bunny, Alejandro Sanz e Karol G.
Liniker não só venceu. Ela marcou. E fez história do jeitinho único que só ela sabe.
