OS PRIMEIROS SINTOMAS DE EXPRESSÃO

Pelo menos alguma vez na vida, você já se perguntou o que deu início à formação dos seus primeiros traços de expressão através das roupas? Ainda que não, pode ser bem simples desvendar os códigos que construíram o seu gosto atual. Mesmo que os trate como meros “detalhes”, tudo o que você veste e como se veste imprime uma parte da construção da sociedade.

Foto: David Assed

Foi exatamente aos 14 anos que encontrei na moda um refúgio para minhas próprias inseguranças, acreditando que apenas o alto luxo me tornaria alguém mais que especial. A grande verdade é que, por mais simples que seja uma peça, ela pode carregar os mais intensos sentimentos que uma alta estima é capaz de proporcionar. Independente do valor ou da marca, talvez aquele lenço antigo herdado de uma avó seja o maior símbolo de poder, afeto e história que seu armário pode contar.

Foto: David Assed

Então, talvez os primeiros traços da nossa expressão tenham nascido, ainda que inconscientemente, tanto como significado de poder quanto como resultado de inseguranças que não conseguimos nomear inicialmente. Foi depois de alguns anos que aquele mero adolescente de 14 anos entendeu que a moda é capaz de desvendar os mais profundos sentimentos escondidos num armário, ainda que ele possua valor monetário nulo, mas por se tratar da pura expressão do que sentimos baseado no resultado da construção de quem somos na nossa individualidade. Essa não se mede em valor de definição única, pois o que é barato para uns pode ser a maior representação de quem se é para outros.

Foto: David Assed

Quem é o David Assed?

Por trás de cada criador existe uma história e, às vezes, essa história começa muito antes do que a própria memória consegue alcançar. No caso do David, a moda não surgiu como escolha, mas como descoberta natural, quase inevitável. Desde a infância, a sensação profunda de feminilidade o acompanhava como um espelho interno. Não se tratava apenas de gostar do feminino, mas de enxergar nele uma beleza grandiosa, carregada de força, construída pelas mulheres que marcaram sua formação. Essa percepção viria a se tornar o alicerce da estética que hoje define sua vida.

Foto: David Assed

A figura mais determinante desse percurso é sua mãe adotiva, que representa, para ele, o verdadeiro significado da moda. Ao lado dela, sempre esteve Mara, presença constante e igualmente influente. As duas, sem perceber, foram moldando sua sensibilidade estética, seu olhar curioso e seu apreço pela criatividade. Mais do que influência, foram o ambiente vivo do qual sua visão nasceu. Quando perguntado sobre o primeiro contato real com a moda, ele responde com naturalidade: “não me lembr0.” E não lembra porque a moda nunca foi um evento, mas uma atmosfera. Um movimento contínuo que o envolveu enquanto crescia, observando a mãe, as irmãs e, dentro dele, um desejo orgânico por tudo aquilo. A moda sempre esteve ali, antes mesmo de ele saber o que era moda.

A certeza, porém, veio aos 14 anos, em meio às inseguranças típicas da adolescência. Naquele período, acreditava que “vestir luxo” poderia salvá-lo no que dizia respeito à beleza e ao poder. Mas, ao longo do tempo, descobriu que o luxo que realmente importava vinha da expressão a sua maior arte. Ali nasceu não apenas um sonho profissional, mas um compromisso consigo mesmo: usar a moda como forma de existir. Seu aprendizado nunca foi formal. Ele não estudou moda em instituições, mas nas experiências cotidianas. Seu método é intuitivo: observar, sentir, absorver e descartar o que não lhe serve. Cada encontro, cada pessoa, cada situação torna-se aula. O que não combina com quem ele deseja ser vira lição; o que inspira, ele incorpora com cuidado. A moda, para ele, é um exercício contínuo de autoconhecimento.

Definir seu estilo é, basicamente, definir a si próprio. Sua identidade estética é uma extensão natural de quem é e do que sente. Ele acredita que a diferença que imprime no mercado está justamente no entendimento de que tudo pode se transformar em arte, especialmente aquilo que nasce de sua história. Quando a criação vem de dentro, afirma, ela se torna mais potente. Hoje, suas maiores referências são Sabrina Sato e Pedro Sales, figuras que admira não apenas pela estética, mas pela potência criativa e narrativa que carregam. Fora da moda, ele se define como alguém reservado, que aprecia a solitude dos processos criativos e a quietude necessária para dar vida à imaginação. No trabalho, leva consigo apenas o que acredita ser bom para manter a relação saudável com sua arte, preservando-se para não se perder no caminho.

Foto: David Assed

E quando pensa no futuro, enxerga um horizonte que mistura ambição, autenticidade e propósito. Ele se imagina construindo uma carreira que vá muito além do visual bonito, uma carreira que exponha a coesão e a naturalidade de seus processos, frutos diretos de sua história. Sonha em ser diretor criativo da marca que levará seu próprio sobrenome, narrando não apenas a própria trajetória, mas também a de outros, transformando vivências em moda. Sua história ainda está no começo, mas já carrega a verdade de quem entende que moda não é só tecido, tendência ou espetáculo. Moda, para ele, é expressão — e expressão, quando nasce da alma, vira legado.

 

_ Texto: Márcio Cabral.

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